"O justo é como árvore plantada à beira de águas correntes, perto da Fonte. Porque está plantado assim, ele dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que faz prospera. Ele é teimosamente abençoado por Deus. A olhos vistos".

Divulgo, aqui no blog, algumas reflexões. Não são textos acabados e sempre estou aberto ao diálogo!

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

E Maria desfilou na Avenida!



Hesitei um pouco em escrever sobre o assunto, mas faz parte da minha vocação (que escolhi) de teólogo e teólogo leigo, dar uma contribuição em assuntos que fazem parte do nosso cotidiano e do mundo dito "secular".

Bem, o texto é longo, mas leia todo ele, se puder e, se gostar, compartilhe com seus amigos e amigas!

Em março de 2015 houve um pedido de autorização por parte da escola de Samba Unidos da Vila Maria de São Paulo ao cardeal arcebispo D. Odilo Scherer para a utilização da imagem de Nossa Senhora Aparecida no desfile de carnaval de 2017. Já na época D. Odilo afirmou que: “É sempre melindroso levar motivos religiosos ao Carnaval. Mas a devoção à padroeira está muito ligada à cultura popular”. Ele já antevia as discussões que viriam...


domingo, 4 de março de 2012

Carnaval na Bíblia?

Era uma vez... em um reino distante em um tempo igualmente distante uma simples mulher do povo, uma plebeia. Essa simples mulher, ou melhor, essa moça saída da adolescência, era extremamente bela. Ela havia perdido seu pai e sua mãe e fora criada pelo filho de seu tio. Era mais uma entre tantas outras mulheres deste reino.

Certo dia, o rei, por ter sido desprezado pela sua rainha, achou por bem escolher entre as moças do reino outra que ocupasse o trono ao seu lado. E desejou que fossem convidadas todas as jovens, virgens e belas moças de seu reino para estarem na sua presença. E assim aconteceu.

As escolhidas eram conduzidas a um harém do rei e neste harém deveriam ser tratadas com especial cuidado durante o período de um ano. Estes cuidados incluíam óleos especiais, perfumes e outros cuidados femininos, pois o rei as chamaria, uma de cada vez, ao final deste período.
Como vocês devem imaginar nossa querida personagem, ao ser levada à presença do rei, experimentou a grande alegria de ser escolhida como sua rainha e recebeu, das mãos do próprio rei, um grande diadema em sua cabeça que fora da antiga rainha.
Esta história é muito parecida com outras que já ouvimos desde nossa infância. E normalmente se encerram com a expressão – “E foram felizes para sempre”. Muito bonito. Acontece que a nossa história não termina assim.

 A nossa personagem que tem por nome Ester pertencia ao povo judeu. Na época de nossa história (aproximadamente no século IV ou V a.C.) o povo judeu foi alvo de uma intriga promovida por Amã (ou Haman), que havia sido escolhido pelo rei (de nome Assuero, rei da Babilônia, também conhecido com Xerxes ou Acháshverosh em hebraico) como seu principal ministro. Amã revoltou-se pelo fato de Mardoqueu (filho do tio de Ester, também chamado Mordechái) não se ajoelhar diante da sua presença como os demais. Mardoqueu não fazia este gesto de adoração, pois, como judeu adorava somente a Deus. E por esta revolta Amã convence o rei a emitir um edito de extermínio do povo judeu com data marcada (resultado de um sorteio)!
Sabendo desta situação Ester pede orações a Mardoqueu e jejua juntamente com suas servas como sua preparação para se aproximar do rei e pedir clemência para seu povo.

Havia uma lei que impedia qualquer pessoa (inclusive a rainha) de se aproximar de Assuero sem que este a convocasse. A pena para quem desobedecesse a esta lei era a morte, a não ser que o rei fizesse o gesto de erguer seu cetro em sua direção. Ester, após três dias de oração, vestiu-se com suas melhores roupas, estava extremamente bela e arriscou aproximar-se de Assuero. Este demonstra seu beneplácito à Ester que, após algum adiamento (confira cuidadosamente no livro de Ester!) solicita ao rei a revogação do edito de extermínio dos judeus. Revogação que o rei prontamente acolhe e (supreendentemente!) direciona esta matança à Amã e seus familiares. O povo judeu vê-se miraculosamente livre de uma possível perseguição fatal.

O que esta história ensina para nós cristãos do século XXI?

Em primeiro lugar fica registrado que este acontecimento é lembrado por nossos irmãos judeus na festa designada como Purim (sorteio ou lançar a sorte). Festa esta que neste ano de 2012 será celebrada dia 8 de março (coincidentemente do Dia Internacional da Mulher!). Nesta festa todo o livro (Meguilá) de Ester é lido nas sinagogas.

Esta festa de Purim é comparada, na sua forma popular, ao nosso carnaval.

Quero chamar a atenção para este ponto. Para nós o carnaval é uma festa popular (será?) que tem uma origem de certa forma cristã e que foi praticamente deturpada em suas manifestações. Uma festa que se expressa em um devaneio, uma alienação da realidade. Dias em que os papéis são trocados para extravasar. E o que sobra? Nada mais do que confetes no chão (ainda tem?), arrependimentos e um profundo vazio.

A festa de Purim, ainda que popular, relembra um fato extraordinário – uma mulher coloca a sua vida em risco para a salvação de todo o seu povo; oferece seus dons, dotes e beleza a serviço da libertação dos seus. Alguém que coloca os interesses coletivos acima de seus pessoais. Qual festa mesmo (eu disse festa e não data cívica) que os brasileiros comemoram tendo como origem uma atitude assim?

Em segundo lugar chama a atenção de que no livro de Ester não menciona o nome de Deus (aliás, é o único livro da Bíblia nesta situação). E qual o motivo para isso? A explicação é de que, na maior parte do tempo, Deus conduz a história de uma forma oculta, velada. Os grandes milagres que Deus realiza são discretos, quase imperceptíveis para aqueles que gostam de exageros, excentricidades, shows. Deus move os acontecimentos lenta e discretamente. Não é à toa que o nome de Ester, em hebraico, significa “oculto”.

Pensemos e festejemos!

Purim Sameach!

Robert Rautmann, CCJ

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Encontre-se com Jesus neste carnaval

As Irmãs Mensageiras do Amor Divino promoverão neste Carnaval o RAD, um retiro de encontro com Cristo na Casa de Retiro Mossunguê.
O retiro terá início às 19h do dia 5 e finalizará às 18h do dia 8 de março.
Retiro de Primeiro Anúncio ou Kerigma é a primeira experiência de oração e contato pessoal com a espiritualidade para uma mudança de vida.
As inscrições podem ser feitas pelo telefone da Casa com a irmã Kátia. A taxa por pessoa é de R$100,00. A Casa de Retiros fica na rua Francisco Juglair , 171.
Serviço:
Casa de Retiro Mossunguê: (41) 32791078

(Arquidiocese de Curitiba)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Imagens católicas em carro alegórico causam polêmica


O carro alegórico em que desfilará o Rei Roberto Carlos já está provocando reações da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Antes mesmo de ser concluído no barracão da Beija-Flor de Nilópolis, na Cidade do Samba, o carro alegórico em que desfilará o Rei Roberto Carlos já está provocando reações da Arquidiocese do Rio de Janeiro. A alegoria terá diversas imagens ligadas à Igreja Católica, como face de Jesus Cristo, quatro imagens de Nossa Senhora e anjos que cercarão o carro, já na fase de acabamento. Centenas de crianças desfilarão ao lado de Roberto Carlos, e objetivo é representar o céu. A Arquidiocese pretende visitar o barracão para analisar a obra.

O diretor de Carnaval da Beija-Flor, Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o Laíla, explica que o carro representa a religiosidade do Rei. Ele não acredita que a escola tenha problema. Alega que não tem como falar de Roberto Carlos sem mostrar sua fé. "Não estamos denegrindo qualquer símbolo da Igreja, mas exaltando a fé e a religião presentes no cotidiano do Roberto Carlos, nosso homenageado. Além disso, não representamos Jesus Cristo, mas um ser de luz", defendeu-se.

Ao saber das imagens católicas no desfile da escola mais vitoriosa dos últimos anos do Carnaval carioca, a Arquidiocese do Rio afirmou que vai procurar a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Ontem à noite, a Liga alegou não ter conhecimento do fato. "Não estou sabendo de nada. No entanto, assim que recebermos qualquer comunicado, tomaremos as providências", disse, sem entrar em detalhes, o responsável pelo setor de Comunicação da Liesa, Vicente Dattoli.

O procedimento padrão adotado pela Arquidiocese em polêmicas semelhantes ocorridas nos anos anteriores com agremiações foi o envio de representantes até o barracão da agremiação envolvida, fato que deverá se repetir este ano. "Ainda estamos checando melhor os detalhes. Não podemos descartar nada. É provável que haja uma visita ao barracão da Beija-Flor", informou a assessoria da instituição religiosa.

Além da alegoria, uma ala do desfile fará alusão às aparições de Nossa Senhora. No entanto, Laíla não adiantou como será a fantasia. "Cumprir o que determina o Artigo 208 do Código Penal Brasileiro (... 'não vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso')" é o que diz o regulamento da Liesa no Artigo 27, Parágrafo 15. Com o enredo A simplicidade de um rei, a Beija-Flor será a sexta e última escola de samba a desfilar na segunda-feira de Carnaval - dia 7 de março.
O carnavalesco Chico Spinoza criticou a interferência da Igreja. "Classifico como incompatível. O desfile de escola de samba não é lugar de religiosos. Eles têm que se preocupar com o templo deles", revolta-se. Atualmente ele atua na Tom Maior, escola de samba de São Paulo.

Já o carnavalesco Milton Cunha comentou que prefere não envolver os principais símbolos religiosos da Igreja Católica na que é considerada a maior festa popular do planeta. Para ele, a exibição de corpos e o excesso cometido durante os dias de folia não combinam com a fé. "Acho que o sagrado deve estar separado do profano. Considero complicado demais envolver, por exemplo, imagens de Jesus Cristo e Moisés. Uma boate já me chamou para decorar paredes com santos e não aceitei", opinou.

A Beija-Flor de Nilópolis já esteve envolvida em polêmica semelhante, no ano de 1989, quando o então carnavalesco Joãosinho Trinta ousou em trazer a imagem do Cristo Redentor como mendigo logo no carro abre-alas. Na ocasião, a escola trazia o enredo Ratos e urubus, larguem minha fantasia.

Uma liminar da Justiça do Rio acabou obrigando a agremiação a cobrir a escultura do Cristo Redentor, que foi para a Marquês de Sapucaí envolta num plástico preto e carregando a faixa com os dizeres "Mesmo proibido, olhai por nós". A Beija-Flor foi vice-campeã naquele ano e no desfile das campeãs retirou parte do plástico da imagem.
Depois desse caso, houve mais interferências no Carnaval do Rio, o que chegou a revoltar alguns carnavalescos. Em 2000, a Unidos da Tijuca trazia o enredo Terra dos Papagaios... Navegar foi preciso, sobre o descobrimento do Brasil, e Chico Spinoza - então carnavalesco - foi proibido de mostrar na Sapucaí uma cruz e um painel de Nossa Senhora da Boa Esperança. A polícia interveio e a escola desfilou com as alegorias cobertas.

A Unidos do Viradouro teve problemas nos anos de 2004 e 2008. No ano seguinte, a Porto da Pedra recebeu visita de membros da Arquidiocese do Rio pela existência de uma alegoria com a figura de um padre e que retratava a Idade Média, além de citar o período da Inquisição. Após a polêmica, o carro alegórico foi liberado pela Igreja.

(Folha Gospel)