"Não temos uma opção intermédia" entre o islamismo e a democracia, explicou o Cardeal Naguib e considerou que o Egito está destinado a ser uma nação onde a liberdade, a igualdade de direitos e a democracia prevalecerá, ou um estado muçulmano no qual estes valores poderiam estar intrinsecamente comprometidos.
Desde o Vaticano, onde nestes trabalha nos documentos finais do Sínodo do Vaticano para o Oriente Médio, o Patriarca avaliou a atual conjuntura da realidade egípcia, semanas depois dos violentos protestos que terminaram com a renúncia do presidente Hosni Mubarak após 30 anos de governo.
O referendum celebrado no dia 19 de março quase 78 por cento da população votou a favor de uma mudança parcial da Constituição só para modificar os poderes do presidente. O Cardeal Naguib considera que este resultado demonstra a profunda influência dos islamistas na sociedade.
"Infelizmente, (o referendum) foi apresentado sob uma luz religiosa. Em vez de falar de opções políticas e sociais, falou-se de uma visão e opção religiosa o que para mim e para muitos falsificou a orientação deste movimento pela mudança" no Egito, indicou o purpurado.
O Patriarca lamentou que o referendum foi exibido como uma decisão a favor ou contra o Islã, por isso resulta normal que a grande maioria tenha optado por manter o sistema.
O objetivo original do movimento contra Mubarak, explicou o Cardeal Naguib ao grupo ACI, foi "a democracia, o estado civil, a igualdade, um estado e uma ordem apoiados na igualdade de direitos e responsabilidades para todos, com a participação real de todos, a mudança de governo e autoridade. Todos os dos componentes de um estado civil moderno".
Entretanto, apenas 22 por cento dos votantes pediu no referendum a revisão completa da Constituição. Entre eles os muçulmanos e os políticos que criticaram duramente a falta de vontade para obter uma mudança maior.
O Cardeal espera que as seguintes fases na vida política do país permitam obter uma mudança definitiva da Constituição.
Em setembro, os egípcios terão eleições parlamentares e logo será formada uma comissão para abordar o alcance das modificações. A partir deste passo chegarão as diretrizes para o novo presidente.
"Estas são as três etapas, os três momentos que são definitivos para o futuro", disse o Cardeal Naguib e considerou que os comícios terão um efeito em todo o Meio Oriente.
(ACI Digital)
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